sexta-feira, 9 de maio de 2008

Tuas Mãos

Quando tuas mãos saem,amada, para as minhas,o que me trazem voando?
Por que se detiveram em minha boca,súbitas,e por que as reconheço como se outrora então as tivesse tocado,como se antes de ser houvessem percorrido minha fronte e a cintura?
Sua maciez chegava voando por sobre o tempo,sobre o mar, sobre o fumo,e sobre a primavera ,e quando colocaste tuas mãos em meu peito,reconheci essas asas de paloma dourada,reconheci essa argila e a cor suave do trigo.
A minha vida toda eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,cruzei os recifes,os trens me transportaram,as águas me trouxeram,e na pele das uvas achei que te tocava.
De repente a madeira me trouxe o teu contato,a amêndoa me anunciava suavidades secretas,até que as tuas mãos envolveram meu peito e ali como duas asas repousaram da viagem.
(Pablo Neruda)

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