quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo, não de cultivo alheio ou de presença. Nada exige nem pede. Nada espera,mas do destino vão nega a sentença. O amor antigo tem raízes fundas,feitas de sofrimento e de beleza. Por aquelas mergulha no infinito,e por estas suplanta a natureza. Se em toda parte o tempo desmorona aquilo que foi grande e deslumbrante, a antigo amor, porém, nunca fenece e a cada dia surge mais amante. Mais ardente, mas pobre de esperança. Mais triste? Não. Ele venceu a dor,e resplandece no seu canto obscuro, tanto mais velho quanto mais amor. (Carlos Drummond de Andrade)

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