“Como faço para me prender mais às leituras?”
Pelo que eu entendi, o moço quer saber como ler um livro de cabo a rabo, sem pensar em outra coisa, dormir ou rasgar o bendito.
A resposta é simples: prazer. Só leia o que lhe interessa. Ninguém “tem que” coisa nenhuma. Nem dentro nem fora dos livros. Afinal de contas, o que essa civilização tem contra o prazer?
- Ah, porque teeeeeeeeeeeeeeem que ler os clássicos! – falam os neuróticos (corra dessas pessoas, elas são perigosas).
Gente, eu amo os clássicos. Mas não aconselho ninguém a lê-los se isso não interessa.
Então, como gostar de ler? Tem receita, não. Ajuda nascer numa casa em que as pessoas gostam de ler. Mas gosto pela leitura não é genético: portanto, ter pais leitores não garante amor pelas letras. Da mesma maneira, muito leitor apaixonado cresce em lugar onde não há um único livro.
Se você quer desenvolver o hábito da leitura, comece pelo prazer. O que você gosta de ler? Romance água-com-açúcar? Revistas de fofocas? A página policial? Quadrinhos? Internet? Pois leia. Leia um pouquinho todos os dias. Leia sem compromisso. Leia sem querer entender tudo. Enfim, leia com prazer.
Logo, logo, você vai perceber que está lendo cada vez melhor. Que está compreendendo melhor os textos. Que está pensando, falando e escrevendo melhor. Que está podendo – e querendo – ler textos cada vez mais complexos.
Claro que, se você é candidato a algum concurso, vai ter que ler muita coisa por obrigação. Pior: correndo contra o tempo. Se não tem o hábito da leitura, talvez entre difícil e dolorosamente nos tais clássicos. Normal.
Um conselho: comece pelos (bons) resumos. Eles vão lhe dar um norte na hora da leitura dos textos. Outra coisa: não estresse porque não entendeu tudo. Vá lendo, vá lendo... Vá lendo e assimilando o que puder. Alguma coisa vai ficar.
Se depois de tudo, você ainda odiar os livros, simplesmente... não leia. Não leia, oras! Vamos parar com esse masoquismo de ter que sofrer pra ser recompensado no final. Que final, meu filho? Tem final nenhum. Vá cuidar da sua vida. Vá fazer o que lhe interessa e deixe os maníacos do “tem que” se descabelando.
Claro que toda decisão tem uma conseqüência. Mas tudo tem um preço nessa vida, né? Nesse caso, melhor pagar por algo que fizemos por amor. Imagine: fazer algo por obrigação e ainda ter que passar no caixa depois. Credo!
Por Philio Terzakis